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14 de dez. de 2011

O Mundo Não Vai Acabar Em 2012

Nasa rebate teorias sobre 2012
Agência espacial mostra razões para não acreditar em profecias apocalípticas

As pessoas podem dormir tranquilamente na noite entre 20 e 21 de novembro de 2012, garante a Nasa, a Agência Espacial Norte-Americana. Apesar da polêmica em torno da data, o mundo não corre o risco de acabar.

O prognóstico do fim do mundo é atribuído ao calendário maia, que se encerra no dia 21 de dezembro de 2012. Entretanto, o astrônomo Don Yeomans, gerente do programa NEO de Objetos Próximos à Terra, da Nasa, questiona os rumores sobre este acontecimento.

"O que há de tão especial sobre 21 de dezembro do ano que vem?" Pergunta Yeomans. "Muitas pessoas pensam que é o fim do calendário maia e que uma catástrofe ocorrerá. Mas além da data marcar o inicio do solstício de inverno, instante que marca o começo do Inverno no Hemisfério Norte, nada de mais interessante irá acontecer".

Os defensores da teoria afirmam que uma estranha série de eventos terríveis está convergindo para causar a destruição da humanidade naquele dia. Mas o astrônomo da Nasa rebate essas ideias usando conhecimento científico para mostrar que tudo não passa de mentira.

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Os Maias

O antigo calendário maia era um sistema distinto de medir o tempo. Além do ano, os maias mediam períodos mais longos, assim como o nosso calendário divide o tempo em décadas, séculos e milênios.

A contagem do calendário maia mais curto era de 52 anos, enquanto a contagem do calendário mais longo era de 5125 anos. Grande parte da polêmica sobre o fim do mundo se deve a este calendário de longa duração chegar ao fim em 21 de dezembro de 2012.

No entanto, isto não significa que uma catástrofe ira acontecer. Segundo Yeomans, a data indica apenas o fim de um calendário e o inicio de outro. "Os maias nunca previram que o fim do mundo ocorreria nesse dia. Seria como dizer que o fim dos tempos será em 31 de dezembro porque a data marca o fim do calendário gregoriano".

O final de ciclos do calendário maia significa "finais de período" e pode ser interpretado de diferentes formas. Enquanto existem aqueles que acreditam que 21 de dezembro de 2012 trará uma nova era de iluminação, muitos outros temem uma catástrofe.

"Procurei pela frase 'desastres 2012' no Google e sabe quantos resultadosencontrei? 35 milhões", afirma Yeomans. "Muitas pessoas estão preocupadas com esta data, mas não existe razões para pânico". 
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Morte pelo Planeta X

"Umas das teorias mais famosas diz que o Sol vai se alinhar com o centro da Via Láctea em 21 de dezembro. No entanto, o Sol faz isso rotineiramente duas vezes por ano, e sem causar o fim do mundo", ironiza Yeomans.

Outro temor seria a colisão da Terra com um folclórico planeta apelidado de "Nibiru" ou "Planeta X", que estaria vindo em direção ao nosso planeta.

Yeomans nota que um famoso Ufólogo chamada Nancy Leider, que diz estar em contato com alienígenas da estrela Zeta Reticuli, primeiro afirmou que o Nibiru causaria um desastre catastrófico em Maio de 2003, e depois mudou a previsão para 21 de dezembro de 2012.

"Não há evidência alguma de que Nibiru exista", diz Yeomans. "Rumores de que talvez o planeta esteja escondido atrás do Sol são infundados, pois 'tal planeta' não poderia se esconder atrás do astro para sempre. Nós já o teríamos encontrado".

Os crentes em Nibiru rebatem essa critica acusando os astrônomos da Nasa de estarem envolvidos em uma conspiração para encobrir o caso a fim de evitar o pânico nas populações.

Mas Yeomans ridiculariza esta afirmação dizendo que "não há nenhuma maneira da agência manter os astrônomos do mundo inteiro em silencio".
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Alinhamento planetário

Há também quem afirme que os efeitos gravitacionais dos planetas alinhados uns com os outros vão afetar a Terra de alguma forma em 2012.

O problema é que não há nenhum alinhamento planetário em 2012. E mesmo que houvesse, isto não causaria problemas.

Segundo Yeomans, os únicos corpos que causam influencias gravitacionais significativos na Terra são o Sol e a Lua - efeitos como as marés, por exemplo.

"Os efeitos gravitacionais exercidos por outros corpos são desprezíveis, e temos sofrido essa 'ameaça' durante milhões de anos sem problemas", ironiza o astrônomo.

Tempestades solares

Outro medo sobre 2012 diz respeito as tempestades solares: correntes de partículas energéticas causadas por explosões no Sol.

Estes eventos acontecem em ciclos de 11 anos. Quando atingem a Terra, criam auroras e podem causar danos a satélites e linhas de energia, mas "não é nada que cause danos permanentes", diz Yeomans.

Há registros de que uma super tempestade solar atingiu a Terra em 1859. Apesar de causar poucos danos na época, há temores de que uma tempestade similar cause danos muito maiores agora que nosso mundo é mais dependente de aparelhos eletrônicos. 

Ainda assim, "não há evidências de que uma tempestade dessas irá acontecer em 21 de dezembro de 2012", destaca Yeomans. "É impossível prever a atividade solar com tanta antecedência e exatidão, e mesmo uma tempestade extremamente forte dificilmente causaria o apocalipse". 



"Danos aos aparelhos eletrônicos!? E eles dizem que isso não é o fim do mundo!?"

1 de dez. de 2011

Cientistas desvendam profecia maia do 'fim do mundo em 2012'

Previsão apocalíptica maia é descartada por boa parte dos especialistas. 

Arqueólogos de diversos países se reuniram no Estado de Chiapas, uma área repleta de ruínas maias no sul do México, para discutir a teoria apocalíptica de que essa antiga civilização previra o fim do mundo em 2012. 

A teoria, amplamente conhecida no país e contada aos visitantes tanto no México como na Guatemala, Belize e outras áreas onde os maias também se estabeleceram, teve sua origem no monumento nº 6 do sítio arqueológico de Tortuguero e em um ladrilho com hieróglifos localizado em Comalcalco, ambos centros cerimoniais em Tabasco, no sudeste do país. 

O primeiro faz alusão a um evento místico que ocorreria no dia 21 de dezembro de 2012, durante o solstício do inverno, quando Bahlam Ajaw, um antigo governante do lugar, se encontra com Bolon Yokte', um dos deuses que, na mitologia maia, participaram do início da era atual. 

Até então, as mensagens gravadas em "estelas" - monumentos líticos, feitos em um único bloco de pedra, contendo inscrições sobre a história e a mitologia maias - eram interpretadas como uma profecia maia sobre o fim do mundo. 

Entretanto, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah), uma revisão das estelas pré-hispânicas indica que, na verdade, nessa data de dezembro do ano que vem os maias esperavam simplesmente o regresso de Bolon Yokté. 

"(Os maias) nunca disseram que haveria uma grande tragédia ou o fim do mundo em 2012", disse à BBC o pesquisador Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade Autônoma do México (Unam). 
"Essa visão apocalíptica é algo que nos caracteriza, ocidentais. Não é uma filosofia dos maias." 

Novas interpretações 

Durante o encontro realizado em Palenque, que abriga uma das mais impressionantes ruínas maias de toda a região, o pesquisador Sven Gronemeyer, da Universidade australiana de Trobe, e sua colega Bárbara Macleod fizeram uma nova interpretação do 6º monumento de Tortuguero. 

Para eles, os hieróglifos inscritos na estela se referem à culminação dos 13 baktunes, os ciclos com que os maias mediam o tempo. Cada um deles era composto por 400 anos. 

"A medição do tempo dos maias era muito completa", explica Gronemeyer. "Eles faziam referência a eventos no futuro e no passado, e há datas que são projetadas para centenas, milhares de anos no futuro", afirma. 

Para a jornalista Laura Castellanos, autora do livro "2012, Las Profecias del Fin del Mundo", o sucesso da teoria apocalíptica junto à cultura ocidental se deve a uma "onda milenarista" que, segundo ela, "antecipa catástrofes ou outros acontecimentos cada vez que se completam dez séculos". 

Para Castellanos, esse tipo de efeméride é reforçada por uma 'crise ideológica, religiosa e social'. 

Ela observa que as profecias sobre 2012 não têm somente uma 'vertente catastrófica', mas também uma linha que "prognostica o despertar da consciência e o renascimento de uma nova humanidade, mais equitativa". 

Crença no final 

A asséptica explicação científica e histórica vai de encontro à crença popular no México, um país onde há quem procure adquirir os conhecimentos necessários para sobreviver com seu próprio cultivo de alimentos em caso de uma catástrofe mundial.

Muitos dos que vivem fora procuram regressar ao país porque sentem que precisam estar em casa em 2012, e há empresas que oferecem espaço em bunkeres subterrâneos, com todas as comodidades. 

Afinal, o possível fim do mundo também é negócio. O próprio governo mexicano lançou uma campanha para promover o turismo no sudeste do país, onde estão localizados os sítios arqueológicos maias. 

Muitos governos dos Estados onde existem ruínas da antiga civilização maia já estão registrando aumento na chegada de turistas.